Psi, a nova série original da HBO

claralima 26/03/2014 1
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  • Trilha Sonora

-Freud dizia que a psicanálise deveria ser tão radical e precisa quanto a cirurgia. – ANTONINI, Carlo
-E é?
-Nem fodendo.”  – ANTONINI, Carlo

A vida é um ciclo aberto. Ela começa, acaba, recomeça, mesmo sabendo que só se fecha esse ciclo no dia da morte. Enquanto isso, você vive. A vida é isso, uma caixinha de pandoras, de neuras e neuroses, de definições e teorias. Psi ou Ps! começa numa dessas voltas da vida, quando somos levados para um dia ao lado do Dr. Carlo Antonini, vivido por Emílio de Mello, e personagem recorrente dos romances do  psicanalista Contardo Calligaris. Carlo é do ramo da psicologia, como ele gosta de dizer, e é justamente nesse tema que somos tragados pelas vidas de personagens tão humanos que juramos conhecê-los.

Os primeiros episódios de Psi provam que as produções nacionais da HBO têm, além da qualidade, o carisma e a criatividade de uma série brasileiro com a marca do canal. A excelência vai desde a fotografia até a escolha do elenco, que traz nomes como Claudia Ohana, Raul Barreto, Otávio Martins e Aida Leiner. Já a direção é assinada por Marcus Baldini, o homem por trás das câmeras de Preamar e Bruna Surfistinha, e responsável por trazer a tona uma sensibilidade incrível para as cenas de Psi.

O primeiro episódio da serie é intitulado A Menina Que Não Falava, bem apropriado para contar a história da Isinha, garotinha fechada em seu próprio mundo, tratada como autista pela própria família. A história também é da Isa, malabarista de rua que se envolve “amorosamente” com Carlo. Desculpem as aspas, mas essa história não é propriamente de amor. Se você me perguntar se esse episódio tem um tema central eu diria que é isso, amor. Ou a falta dele, ou um modo louco de perceber esse sentimento.

Crédito: Hbo/Divulgação. Imagem da série PsiO amor é o que rege os vários relacionamentos mostrados no episódio. Carlo e a ex-mulher Flávia, Carlo e sua amiga Valentina, Carlo e os enteados, e Carlo, Isa e Isinha. São esses vários tipos de amor que movimentam o enrendo. Não é um amor constante, um amor qualquer. As dinâmicas são distintas, e é claro que essas diferenças são o ponto alto do episódio de estreia.

Vou começar falando do amor de amigos entre o psi e Valentina. Há um carinho curioso entre eles, uma cumplicidade acolhedora, como se ela fosse uma conselheira amante mas que a gente não vê o contato de pele. É aquela dinâmica do “vai ou não vai” mesmo que você no fundo nem queira que eles fiquem juntos. Valentina é uma médica bem sucedida metida a aventureira, o que cativa Carlo e encanta todo mundo. Por ela, ele é capaz de interromper o dia para passar ai lado da doutora apenas alguns minutos. É também para ela que ele se vira quando as coisas estão difíceis, um porto seguro.

A amizade entre ele e Valentina extrapola os consultórios da vida, eles parecem se conhecer de longa data e isso faz com que a relação deles pareça a mais consolidada entre todas. Ao menos mais consolidada do que com a recente ex-esposa Flávia, que ainda tenta descobrir como é não estar ao lado do psi.  Aliás, Carlo e Flávia ainda estão no processo de separação. Não é porque o papel diz que o divórcio saiu, que a mente acompanha isso a ferro e fogo. Os dois fazem o telespectador pensar se podemos realmente controlar nossos sentimentos, taxá-los disso ou aquilo e querer por um limite no que sentimos, mesmo quando não há limite algum.

Esse modo irracional de amar remete para o próximo ponto: você já ouviu dizer que quando um casal tem filhos que são de outra relação, a pessoa com menor vínculo se separa totalmente das crianças (sejam elas pequenas, adolescente ou até adultas)? Carlo descordar e justifica: o amor que ele tem pelos enteados Marina e Henrique é eterno.

É nesse emaranhado de amores que Isa aparece quase para salvar Carlo de mais uma volta entendiante naquele ciclo que não se fecha. A vida! Como ela é. Pelo o que é visto, Carlo já conhece a malabarista de rua, mesmo que de longe, ele conhece.

PSI-560x354A mulher carrega a filha criança Isinha para os semáforos, local de onde ela ganha seu sustento. Em uma noite, Carlo, entediado com as possibilidades da vida, resolve instigar mais um ciclo à rodar. Ele cruzou  o caminho da mulher e estabeleceu que aquele seria um amor carnal. Não foi bem assim, ele se envolver com a mulher mais do que geralmente se permitiria, levando a sério o mistério de entender a cabeça da Isinha, a menina quase autista.

Aí ele conta que é do ramo, e que pode ajudar a menina a se desenvolver. E ajuda mesmo. Ao longo do episódio, ele vai desvendando o mistério do comportamento da menina, enquanto isso, ele se apaixona.

Mas nem só de amores bons que vive o seriado. O outro lado é mostrado pela descompensação do ex-marido da Isa, que chega a ameaçar o casal e os filhos do psi com uma arma. A maneira engenhosa como Carlo se safa é intrigante. Diferente de integrante, que é assim como eu definiria um conjunto de pessoas ligadas a um só ponto. A Isinha é isso, esse elemento que liga.

As locações também chamam bastante atenção. Não apenas pelo fato da história se passar em São Paulo, não é isso. Mas sim por você conseguir realmente se deslocar pela metrópole, como se o cenário e a vida fossem parte de uma só peça. A cidade personagem mais esquizofrênica do que um paciente do Carlo.  No final, é bacana entender que os ciclos e interligam mas nunca s fecham, apesar dos recomeços, o passado nunca fica para trás.

Se você ficou curioso ou curiosa com a série, além de correr para assistir o episódio piloto, a dica é ler também o Blog da Companhia. Lá, você vai encontrar considerações e o depoimento do próprio Contardo Calligaris , a mente por trás disso tudo.

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Comentários




One Comment »

  1. sofia martínez 19/05/2014 at 17:28 - Reply

    Os primeiros capítulos do Psi eu gostei
    muito e eu vou ver até o fim e é, definitivamente, uma série que eu recomendo.

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