A Teia – Episódio 1

Carol Maglio 29/01/2014 25
  • Roteiro
  • Atuação
  • Trilha Sonora

Concentração. A gente tem 30 segundos para fazer a parada.” – BARONI, Marco Aurélio

A Rede Globo estreou nesta terça-feira (28) sua nova minissérie A Teia. O primeiro episódio foi uma grande introdução à história, mas nem chegamos a vislumbrar a tal teia de evidências que Macedão montará para chegar a Baroni.

Por enquanto, essas primeiras evidências estão nas fotos de celular e no faro peculiar e apurado que o delegado conhecido como Pinga-Sangue demonstrou ter.

Dirigida por Rogério Gomes, conhecido no meio como Papinha, A Teia é um seriado de ação como há muito não se via no Brasil. Ambiciosa, com muitas sequências de tirar o fôlego e realizada basicamente com externas em diversos estados, a trama é baseada em fatos reais – e não quaisquer fatos, mas crimes realizados por um bandido realmente audacioso, atrevido e sádico [leia mais sobre o homem que inspirou A Teia aqui].

Na cola deste bandido, o ‘mocinho’ da história, o tal Pinga-Sangue, o Delegado Federal Jorge Macedo, que cai de paraquedas no caso e acaba vendo nele a chance de voltar para o Ceará, de onde saiu expulso e desacreditado (já estamos mais curiosos sobre os motivos dessa expulsão do que na caçada que está prestes a se iniciar em si, né). Macedão é interpretado por aquele que é, na minha opinião, o melhor ator brasileiro em atividade, João Miguel (que muitos de vocês devem se lembrar como o caricato Só Love, de O Canto da Sereia). João é versátil e consegue se transfigurar para cada papel que assume. Só no cinema, já foram mais de 20, desde o espevitado Miguelzinho de Gonzaga – De Para Filho até o inventivo Nonato de Estômago, passando pelo desbravador Claudio Villas Boas de Xingu.

a-teia-estreia-capitulo-1A vida pessoal de seu personagem também vai dar pano pra manga em paralelo. Afastado de sua esposa e filha (que ficaram no Ceará), os parentes mais próximos do delegado são sua mãe Áurea e seu meio-irmão Eduardo, com quem, pelo visto, não se dá nada bem. E ainda acaba de descobrir que um dos ‘ratos’ que perseguiu em anos anteriores, o ex-senador Gama, é justamente o novo namorado de sua mãe. Na delegacia, Macedo vive relegado a servicinhos burocráticos, isolado pelos colegas.

Macedo será o nêmesis de Marco Aurélio Baroni, o primeiro vilão da carreira de Paulo (que cresceu e não é mais Paulinho) Vilhena. Apesar de ser o cerne da história, não foi possível se aprofundar muito na personalidade de Baroni. Mas já é possível começar a tecer um pouco de suas características. Jovem, porém respeitado e temido, Baroni é culto (demonstrado nas cenas com sua namorada, em que lhe conta sobre o câmbio hidramático e em que lhe ensina a pronúncia correta de espanhol) e é também frio. Com exceção da eletrizante sequência inicial, em que parece se divertir com a perseguição que sofre, Baroni aparece o tempo todo com movimentos calculados. Um bandido com essas características é também, consequentemente, muito confiante. Tanto que nem se abala ao enfrentar uma pesada blitz com o carro cheio de barras de ouro roubadas. E sem nem alterar o tom de voz, impõe medo aos comparsas de sua quadrilha

A única coisa que parece abalar Baroni é sua esposa, Celeste, e a filhinha fofa dela, a pequena Ana Tereza. Aliás, o momento em que ele mais se mostrou desestruturado foi justamente quando a pequenina se recusou a chamá-lo de pai. Também não conseguimos sentir muito da personalidade de Celeste, mas já deu pra perceber que ela gosta da vida que leva e que é chegada num amor bandido (o pai de sua filha também não parece flor que se cheire e tem treta forte com Baroni). Gostei da atuação de Vilhena, ele demostra maturidade e em nada lembra o namoradinho da Sandy no seriado que ela tinha com o irmão.

No prólogo do episódio, vimos a equipe de Macedo tentando abordar o caminhão que Baroni dirige em um pedágio. Essa equipe é formada por Germano (Ângelo Antônio), Libânio (Fernando Alves Pinto) e Taborda (Michel Melamed). A sequência, que já colocou a minissérie num ritmo de 100 por hora, foi amplamente destacada pelos atores como uma das mais tensas já que tanto Vilhena quando Miguel se recusaram a usar dublês. Sim, é João Miguel que está pendurado naquele caminhão!

Já o audacioso assalto no aeroporto internacional de Brasília (onde eles roubam 60 quilos de barras de ouro em 30 segundos) foi muito bem editado, com uma fotografia também cuidadosamente estudada, direcionando o nosso olhar para tudo o que precisávamos prestar atenção em meio àquela adrenalina toda. A sequência foi revisitada já algumas vezes durante o episódio e eu gostaria de destacar em especial as entrevistas de Macedo com as primeiras testemunhas. Quando ele fala com o senhorzinho da guarita, colocando-se no ponto de vista do mesmo, faz a série já parecer promissora em sua linguagem. Claro que não é um crime perfeito e o delegado já começa a desenhar onde os criminosos erraram ou se precipitaram.

E ali já temos o indicativo de que, fosse qualquer outro o delegado que pegasse o caso, talvez Baroni conseguisse se safar. Mas teve o azar de cruzar o seu caminho com Macedo, que tem bons instintos e é casquinha de ferida – e agora tem uma motivação extra pra fechar o caso.

E já temos o indicativo também do sadismo de Baroni, que aparentemente não hesitou em jogar um comparsa dentro de um poço para aguardar a morte.

Para encerrar, quero dizer que curti muito a trilha sonora da série, que vai desde Nirvana a Rolling Stones. As canções deram o tom certo para cada sequência. Importante destacar também que se trata do primeiro trabalho de TV do casal Carolina Kotscho e Bráulio Mantovani, que são roteiristas de sucessos de bilheteria como Dois filhos de Francisco, Tropa de Elite, Tropa de Elite 2 e Flores Raras.

A Teia é semanal, será exibida durante as terças-feiras, após o Big Brother. Mesmo focada em situar os personagens, já deu vontade de continuar acompanhando. E vocês, o que acharam?

PS: Só uma crítica forte ao áudio do episódio. Em alguns momentos, era impossível compreender o que os personagens diziam. E havia uma grande diferença de volume para as cenas de ação ou nos sobe-som da trilha sonora, o que obrigou o espectador a ficar o tempo todo com o dedo no botão de volume do controle remoto. Única bola fora numa produção super bem feita.