A parentada de Sai de Baixo

Equipe do Box 23/03/2012 7

Exibida de 1996 a 2002, na Rede Globo e com sete temporadas, Sai de Baixo inovou o humor brasileiro ao trazer em seu formato semelhanças com sitcons americanas. A série contava a história de uma família inusitada, que incluía a filha burra e o genro metido a rico, “sobrevivendo” ao cotidiano brasileiro.

Com um humor misto de teatro e televisão, é hora de conhecer O Melhor e o Pior dessa série!

 CALA A BOCA, MAGDA!

“Quem confere conta, com conta será ferido”Magda

Magda é, sem dúvidas, o maior destaque do seriado. A personagem, vivida pela maravilhosa Marisa Orth, era um antro de besteiras. Casada com Caco Antibes, que a chamava carinhosamente de Minha Jumenta Favorita, Magda era o tom exagerado do humor – exagerado no bom sentido, lógico! A personagem tinha as tiradas certas para cada cena e uma química com todos os demais personagens. No mais, quando Magda aparecia, era risada na certa! (e se tem dúvidas, tente segurar a risada vendo esse vídeo aqui ó)

 EU TENHO HORROR A POBRE!

Parte do sucesso de Magda deve-se à química com seu “par romântico”, Caco Antibes. Vivido pelo Miguel Falabella, o personagem, que fazia parte alta sociedade (Narcisa Feelings?), teve suas falcatruas descobertas e foi obrigado a viver junto com a “parentada”. O problema de Caco é que, mesmo sem nenhum tostão no bolso, ele ainda se considera nobre e rico! E o pior: detesta os pobres. Se Magda causava risos com sua ignorância, Caco chamava a atenção com seus relatos sobre pobres.

APELIDOS E BORDÕES

Brasileiro adora bordões e isso é fato. Quem nunca disse um “Sou chique, bem”, “Não é brinquedo, não” ou, o mais recente, “Ai, como eu to bandida?” Mas antes de todos esses bordões, houve o Sai de Baixo. O seriado conseguiu emplacar diversas frases no dia-a-dia de seu público como o “Eu tenho horror a pobre” e o “Cala a boca, Magda” (citados propositalmente nos tópicos anteriores). Além disso, os apelidos que essa turma doida dava também chamava a atenção: era Canguru-Perneta pra cá, Cascacu pra lá…

O IMPORTANTE É SE DIVERTIR!

Outro fator inquestionável para sucesso do Sai de Baixo era a química entre seus atores. Era perceptível o quanto eles se divertiam gravando esse programa e, por causa disso, conseguiam passar essa alegria para o telespectador. Quantas vezes não vimos um ator segurando a risada durante o “espetáculo”? Isso que era legal! Não havia artificialidade, era um humor conjunto, uma diversão de elenco e público.

 TROCA DE ELENCO

Com o passar das temporadas, Sai de Baixo sofreu bastante com a trocas de elenco. Só de empregadas foram três: a Edileuza (Cláudia Jimenez) foi a primeira, a Neide (Márcia Cabrita) foi a segunda e a terceira foi a Sirene (Cláudia Rodrigues). Sem questionar o talento de todos os integrantes, com cada troca havia uma perda da química inicial. É claro, um elenco bom é aquele que se renova, mas Sai de Baixo não soube manter a qualidade inicial com um entra e sai constante de atores.

FÓRMULA DESGASTADA

O problema dos humorísticos brasileiros é que, quando fazem sucesso, tem sua fórmula explorada até dizer chega, causando um desgaste nela. Um bom exemplo é o Zorra Total. Quando um personagem/quadro faz sucesso, ele é explorado de todas as formas possíveis, fazendo o público se cansar de ver a mesma coisa. Sai de Baixo sofreu desse mal. A série ficou praticamente seis anos seguidos em exibição, com intervalos mínimos entre uma temporada e outra. Além disso, as situações eram praticamente as mesmas: o Vavá inventava um novo negócio, a Magda falava besteira, o Caco continuava a falar de pobres, a Cassandra fazia intriga… No fim, a série não dava mais a audiência desejada pela Rede Globo, sendo assim cancelada.